quinta-feira, 6 de junho de 2013

VII ou "Uma última valsa"





“Mister Cellophane, should have been my name”
(Chicago)

Quem bate? Quem está ai fora?
Há alguém ai, de qualquer forma?

O que são esses sons que ouço,
O que é essa luz que às vezes vejo,
Que, tão vívidos e nítidos, ante a solidão,
Tornam-se breves lampejos?

Esqueci como se escreve em rimas, com métricas.
Às vezes começo bem, mas tudo se perde.
Às vezes pareço forte, eu sei, e muitas vezes sou.
Às vezes parece apenas indiferença... E que fim levou?

O que restou daquela alegria, pureza que eu tinha?
O que restou do amor que eu sentia?
Hoje , Amor, você me atravessa, vê através de mim.

Hoje, está de visita apenas, se é que é você mesmo.
Como pode ser você, Amor, se em nada corresponde ao que já fora?
Há paz? Sim... Mas uma paz movente. Nada acaba e nada afeta.
Tudo passa e nada muda. Só há estática... E alegria abjeta.

Já acreditei ser você, um dia, parte de mim, inseparável.
Já pensei ser impossível de outra forma ser.
Já hoje eu quase nem sinto mais, cores mornas.
E eu não sei nem dizer se é bom ou ruim, apenas consigo ver...

Será esse o produto de mim que me resta?
Serei eu esse sub-resto da festa?
Serei eu esse uso surdo e rouco de mim
E será que eu me importo tão pouco assim?

Não sei nem dizer o que me causa.
Não sei se é falta de costume à mudança.
Talvez, amor, de certezas à fé, seja essa a valsa

E essa troca de pares a nossa verdadeira dança...


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Esse texto é razoavelmente antigo, portanto, perdoem a diferença brutal de estilo, ok?



Um comentário:

Unknown disse...

Uauuu... fiquei sem palavras. Realmente msm deprê, mas ainda sim linda.