quinta-feira, 27 de junho de 2013

IX - De Repente




"Pois não chegam a vir à boca os tiros. 
Dos combates que vão dentro no peito."
(Gregório de Matos)
 
De repente, você aprende a representar.
E, supostamente, está tudo bem.
De repente você aprende a mentir,
Ainda que no começo não engane ninguém.


Mas depois você melhora e vai de tal forma
Que nem mesmo você diria.
Depois que se passam as horas, ignora
Aquilo que só você sabia.


De repente, se lembra como é andar...
E que ser feliz é  só um jeito de caminhar.

Lembra que o que subsiste é paz
E que esta é uma forma de se equilibrar.


De repente, a chuva passou
E você consegue ver o sol de novo
De repente, o mundo mudou...


Lá em cima está o Sol,
Ainda que às vezes o tempo feche...


De repente,  toda a verdade
Esta mais uma vez sobre a mesa
E você consegue enxergar
Que a tempestade teve também sua beleza...


terça-feira, 11 de junho de 2013

VIII - Quarto Escuro

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Companheira fiel, minha boa e ingrata amiga.
Quantas noites se foram e quantas ainda virão?
Você entra em meu quarto, puxa o lençol da cama,
Se arrasta em meu corpo e me deixa no chão.

Depois levanta e se senta à beirada,
Me olha e repousa com jeito de decisão.
Acarinha minhas costas com suas mãos frias
E, apenas para ficar, me engana, me pede perdão.

Por que eu ainda te deixo entrar?
Por que eu ainda te abro a porta?
Enquanto você estiver, ela não volta...

Permanece esse vazio de mim, do que me falta.
Permanece ainda esse quarto escuro.
Somos só eu e a Dor nessa hora morta.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

VII ou "Uma última valsa"





“Mister Cellophane, should have been my name”
(Chicago)

Quem bate? Quem está ai fora?
Há alguém ai, de qualquer forma?

O que são esses sons que ouço,
O que é essa luz que às vezes vejo,
Que, tão vívidos e nítidos, ante a solidão,
Tornam-se breves lampejos?

Esqueci como se escreve em rimas, com métricas.
Às vezes começo bem, mas tudo se perde.
Às vezes pareço forte, eu sei, e muitas vezes sou.
Às vezes parece apenas indiferença... E que fim levou?

O que restou daquela alegria, pureza que eu tinha?
O que restou do amor que eu sentia?
Hoje , Amor, você me atravessa, vê através de mim.

Hoje, está de visita apenas, se é que é você mesmo.
Como pode ser você, Amor, se em nada corresponde ao que já fora?
Há paz? Sim... Mas uma paz movente. Nada acaba e nada afeta.
Tudo passa e nada muda. Só há estática... E alegria abjeta.

Já acreditei ser você, um dia, parte de mim, inseparável.
Já pensei ser impossível de outra forma ser.
Já hoje eu quase nem sinto mais, cores mornas.
E eu não sei nem dizer se é bom ou ruim, apenas consigo ver...

Será esse o produto de mim que me resta?
Serei eu esse sub-resto da festa?
Serei eu esse uso surdo e rouco de mim
E será que eu me importo tão pouco assim?

Não sei nem dizer o que me causa.
Não sei se é falta de costume à mudança.
Talvez, amor, de certezas à fé, seja essa a valsa

E essa troca de pares a nossa verdadeira dança...


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Esse texto é razoavelmente antigo, portanto, perdoem a diferença brutal de estilo, ok?



VI ou "Essência"




"Do horizonte dos eventos,
da margem existente no momento incessante,
eu observo.
E a tensão à superfície da margem
É a espera que jamais termina,

Mesmo ante a permanência cadavérica dos fatos..."



quarta-feira, 5 de junho de 2013

V


1600x1200 Alone tree

"If a tree falls in a forest and no one is around to hear it, does it make a sound?"
(Autor desconhecido)



Sou nada sem você.
Mas, já parou p'ra pensar
O quanto do nada você não vê?

Há um nada profundo lá fora
Que você, por certo, ignora,
Que você, sequer, vai perceber.

Há o nada, mas só porque você não quer ver.
Há mais estrada, caminhos, que percorrer,
Que levam a lugares melhores,
Que, sequer, levam até você.

 Há um nada que existe além de você
Que se sublima mesmo sem ver
Há um nada que só você não quer ver. 

IV - Passos apenas


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É engraçada a sensação. Certo calor que percorre minha derme, que esquenta ouvidos e rosto. Como é engraçado o sorriso que sai, e como fácil ele sai. Solto.  O sentido que tudo faz. Como os minutos são contados em metros, pautados pela distância.

Como é boa a sensação que causa: tudo tão diferente sempre. E tão diferentes é tentar ler cada nota de rodapé, cada entrelinha. Jogando cartas com o acaso... Não saber onde olhar às vezes, quais gestos usar e quando. E como tem sido tentar e sentir. Sentir pele, beijo, língua, cheiro, cabelo. Sorriso em pares, sorrir de jeito espontâneo.

Engraçado como o novo tem sido como se sempre fora.

Como é engraçado e estranho medir o vazio agora em metros, quilômetros, bem como a graça das coisas. Como é curioso medir a luz dos lugares em léguas. A certa distância, tem havido apenas ameno e tons de cinza.

Como tem sido bom sincronizar passos... Diversão boba, com devaneios de trapézio. E como são passos apenas, depois.

Como tem me divertido os “serás”, até. Se volta, se quer, se espera... Que pensamento será?

Por hora, há espera e, na espera, essa coisa gostosa de esperar tanto tempo só para ver um sorriso.