quarta-feira, 24 de julho de 2013

XI - Partindo


 


"De repente, não mais que de repente" (Vinícius de Moraes)

Como foi que chegamos aqui?
Quando foi que chegou esta hora?
Quando foi que te fazer sorrir
Terminou com você indo embora?

Tantas vezes falamos,
Tanto traçamos planos...
Lembranças são o que sou
E só isso nos restou.

Quando foi diferente, então?
Hoje cada palavra é em vão
Tantas soluções, práticas que são
Quando, na prática, não há solução.

O que responder quando você perguntou 
o que eu queria para mim,
Quando só sabia que te queria
E que esta pergunta era o prenúncio do fim?


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Um dos poetas que mais admiro foi Vinícius de Moraes, que por diversas e incontáveis vezes li. Neste mês, faz 33 anos de seu falecimento. Fica aqui minha homenagem, inspirada no memorável "Soneto à Separação", que nem se compara a estas mal traçadas linhas


terça-feira, 9 de julho de 2013

X - Réveillon



"...O que fazer quando pouco faz sentido? O próprio sentido de haver sentido se perde. O que fazer quando as máscaras já não servem, quando está flagrante a verdade pelas frestas dos olhos?  Quando se sente o completo vazio de ser,  o que fazer quando o que se queria é tudo o que não deveria e, de fato, não é?


Tudo o que sobra são lembranças e essa ressaca que sequer embala o corpo. Há o amargo, há o cansaço.Há um rompimento lá dentro. Há o barulho que faz.



O núcleo é morno, o mundo aqui fora esfria. E o final de tarde que antes era uma sensação de completude, hoje não passa do prenúncio de mais uma noite escura.



O que se fazer quando, daquelas noites de verão, restou apenas você, que sequer acha mais lugar na pequena existência do dia, quanto mais na imensidão desse  céu profundo, no qual inutilmente se  busca resposta?..."

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Esse é um trecho de um texto maior, que gosto em particular pelas imagens fixadas. Fica aí para registro rsrs.