quinta-feira, 3 de outubro de 2013

XIII - Três da tarde




Olha o dia ai fora, olha e demora.
'Tá batendo uma luz engraçada esses dias,
Uma luz estranha essas horas.

Consegue sentir também? Você pode ouvir?
Fica esse bafo gelado soprando o pescoço
E essa voz, canções de partir.

Não é nada demais, pode nem ser.
Mas de repente, do nada bateu um medo...
Achei melhor ligar para você.

Você ainda sabe o meu número, deve saber.
Mas vai que você, sei lá, não se lembra.
Hoje em dia é tão fácil esquecer.

Talvez você quisesse dizer que lembrou
E deu um sorriso gostoso em seguida,
Com a foto que hoje cedo encontrou.

E teve vontade de mandar um oi
E conversar como a gente fazia.
Sem assunto, ou pensar no que foi.

Só os dois e a tarde inteira.
Que gostoso que era falar de nada.
Falar e rir de cada besteira...

Que ficaram chatas as tardes agora.
Hoje às três da tarde faz madrugada,
Hoje só existe o mundo lá fora.

Falar que um dia você quis me ligar,
Só falar p'ra deixar de bobagem.
Eram 2:20h, não chegou a chamar.

Falar daquela viagem, que a unha quebrou.
Daquela piada que ouviu no trabalho.
Estranhar como o tempo mudou.

Perguntar se eu senti esse frio,
Essa luz engraçada de agora,
Às três da tarde, esse vazio

Que não vai embora...
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